Audiência com os ministros José Guimarães e Paulo Henrique Perna Cordeiro e a senadora Leila Barros reforça a mobilização contra o corte de mais de R$ 500 milhões anuais.
Na véspera da análise da PEC da Segurança Pública pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, o Comitê Brasileiro de Clubes - CBC e a Confederação Nacional dos Clubes - FENACLUBES ampliaram a articulação política em Brasília para impedir que o fortalecimento da segurança pública seja financiado com a retirada de recursos destinados ao esporte brasileiro.
O presidente do CBC, Paulo Maciel, e o presidente da FENACLUBES, Arialdo Boscolo, participaram de audiência com o ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães; o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro; e a senadora Leila Barros, presidente da Comissão de Esporte do Senado Federal. O encontro também contou com a presença do presidente do Comitê Olímpico do Brasil - COB, Marco La Porta.
A audiência levou diretamente ao núcleo da articulação política do Governo Federal e do Senado a preocupação dos Clubes com o artigo 139 da PEC nº 18/2025. Na forma aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta poderá reduzir em 30% a base das destinações sociais provenientes das apostas de quota fixa, retirando mais de R$ 500 milhões por ano do financiamento do esporte. O impacto alcançará programas de formação esportiva, equipes técnicas, participação em competições, aquisição de equipamentos e a preparação dos atletas que representam o Brasil.
O CBC destacou que os Clubes constituem a base permanente da formação esportiva nacional. São essas instituições que identificam talentos, mantêm estruturas esportivas, contratam profissionais especializados e acompanham diariamente o desenvolvimento dos atletas.
“Não se trata de escolher entre esporte e segurança pública. O País precisa das duas políticas. O que não se pode admitir é que o fortalecimento de uma área ocorra com a retirada de recursos que sustentam a formação esportiva e o trabalho diário dos Clubes. São eles que formam a base do esporte nacional e desenvolvem os atletas que representam o Brasil”, ressaltou Paulo Maciel, presidente do CBC.
Já a FENACLUBES apresentou a dimensão econômica, social e trabalhista da ameaça, na condição de entidade sindical de grau superior representante dos Clubes de prática esportiva formal e não formal em todo o País.
“A FENACLUBES fala em nome de uma categoria econômica que reúne mais de 11 mil Clubes, gera empregos, movimenta as economias locais e mantém uma rede permanente de atendimento à sociedade. Esses Clubes não estão à margem da segurança pública; eles ajudam a construí-la todos os dias, quando oferecem formação, disciplina e perspectiva a crianças e jovens. Fortalecer a segurança é indispensável, mas retirar recursos do esporte para fazê-lo significa enfraquecer uma das políticas mais eficazes de prevenção à violência. A conta não pode ser transferida aos Clubes e às demais instituições que já prestam esse serviço à sociedade”, afirmou Arialdo Boscolo, presidente da FENACLUBES.
A senadora Leila Barros vem trabalhando na construção de uma alternativa legislativa que preserve os recursos do esporte, enquanto outras emendas apresentadas no Senado também propõem a retirada do dispositivo que produz a redução. A mensagem levada às autoridades foi clara: a segurança pública precisa ser fortalecida, mas não com recursos retirados do esporte.
A atuação conjunta do CBC e da FENACLUBES soma-se à mobilização nacional dos Clubes, atletas e demais entidades esportivas. As seis entidades - COB, CPB, CBC, CBCP, CBDE e CBDU - permanecem mobilizadas pela correção do texto da PEC, que está na pauta da CCJ nesta quarta-feira, 2 de setembro.
LUTO PELO ESPORTE - FORMAR ATLETAS TAMBÉM É PROTEGER O BRASIL.
